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Estudiosa das Tradições e Espiritualidade Femininas, Mitos, Contos de Fadas, Eco-feminismo e outros temas ligados ao Universo das Mulheres. Uma das precursoras e divulgadora da cultura celta e divino feminino no Brasil (há cerca de 17 anos desenvolve trabalhos na área). Em 1999, esteve na Irlanda onde teve a oportunidade de visitar e vivenciar os locais sagrados de nossos ancestrais celtas. Integrante de Tradições Espiritualistas, dentre elas: Druídica (por Emma Restall Orr - Inglaterra) e Alexandrian (por Edmundo Pellizari) e Xamânica Celta (John Matthews - Inglaterra) Nas ARTES: Praticante da Sagrada Dança do Ventre e Yoga. Atualmente estuda o estilo TribalFusion Bellydance. Cantora, baterista e guitarrista.

segunda-feira, junho 21, 2010

Imperatriz Leopoldina - Uma Hera histórica

LEOPOLDINA*

* dando meu pitaco: Uma HERA histórica (Fox). Mais uma "grande mulher por de trás de um grande homem". Espero que essa infeliz frase seja usada cada vez menos e que as GRANDES MULHERES sejam conhecidas pelo seu nome de batismo, reconhecidas por seus grandes atos e coroadas com uma majestade consistente e não com uma "coroa pesada que é apenas enfeite" - frase genial de uma de minhas alunas da sábia-idade.
Leiam o texto, pois é muito bom e tenta fazer justiça á essa GRANDE MULHER de nossa história.


(Crônica de Domingos Pellegrini publicada em 07/09/2008, na Gazeta do Povo)

Num dia 7 de setembro como hoje, o príncipe dom Pedro viajava a São Paulo com comitiva depois de comer muita carne de porco em Santos, decerto com muito vinho como ele gostava, e começou a ter diarréia. Parou várias vezes para se aliviar nos matos, naquele tempo em que ainda não existia papel higiênico, de modo que, quando foi alcançado pelo mensageiro da Corte, devia estar bem irritado, principalmente com os mosquitinhos que, ignorando o que seja politicamente correto, costumam assediar gente nessa situação.

O mensageiro trazia uma carta da mulher do príncipe, Maria Leopoldina, a quem ele tinha deixado como princesa regente no Rio de Janeiro. Agora ela comunicava que, diante de ameaças de Portugal, tinha decretado a independência do Brasil em reunião com os ministros, coisa que o ministro José Bonifácio confirmava em outra carta.

Conta a História oficial que então o príncipe decretou a independência erguendo a espada às margens do Riacho Ipiranga, mas, na verdade, ele estava ainda longe do riacho, onde sua comitiva já esperava pelo seu aliviamento. Então o príncipe ergueu... a espada? Não, as calças, e foi até a comitiva. Arrancou, sim, os laços portugueses da farda, imitado por todos, e então pode ter erguido a espada e dado o brado de independência, montado no seu... alazão, como na famosa pintura? Não, montado num burro, que ele preferia para viagens longas, pois tem trote mais miúdo.

Com seu gesto heróico e seu brado retumbante apenas confirmou o que já tinha sido decretado pela mulher, com quem teve sete filhos e em quem regularmente batia.

Linhás (é um aliás na linha seguinte), hoje as comemorações pela Independência deveriam homenagear tanto a princesa quanto o príncipe. Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena foi arquiduquesa da Áustria e escolhida para casar com dom Pedro por interesses estratégicos de Portugal. Como toda princesa da época, desde pequena estudou ciências, política, História e idiomas. Casou-se por procuração em 1817, só depois vindo ao Brasil conhecer o marido, com quem teria sete filhos em nove anos de casamento.

Mais que filhos, ela deu ao príncipe visão de mundo, informando-o das idéias européias e estimulando-o a romper com Portugal. Quando se viu Princesa Regente na viagem paulista do príncipe, ao receber cartas ameaçadoras de Portugal não vacilou, convocou o Conselho de Estado e decretou a independência.

Mulher politicamente tão influente e decidida, na vida conjugal foi muito desrespeitada e infeliz. Dom Pedro era mulherengo, deixando a mulher saber das amantes. Chegaria a nomeá-la dama de companhia da mais constante das amantes, Domitila de Castro, a quem ele agraciou com o título de marquesa de Santos, e com quem Leopoldina teve de conviver no Palácio de São Cristóvão. Para dissolver boatos, dom Pedro a quis obrigar a participar do cerimonial de beija-mão ao lado da amante, ela recusou e foi espancada. Ele viajou para o Rio Grande do Sul, ela entrou em depressão, abortou e morreu sem revê-lo.

Se dom Pedro I vivesse hoje, seu tratamento à princesa Maria Leopoldina poderia lhe causar problemas legais e políticos. Conforme a Lei Maria da Penha, poderia ser acusado de maus tratos e agressão à esposa, e detido. Conforme o Artigo 1572 do Código Civil, ela poderia pedir separação judicial por infidelidade. Por sofrer humilhação, ela também poderia requerer indenização por danos morais.

“Resgatar” tornou-se verbo da moda: resgatam tanta coisa! Que tal resgatar a importância histórica dessa mulher corajosa e humilhada? Neste 7 de setembro, que tal dar vivas a Leopoldina?!

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