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Estudiosa das Tradições e Espiritualidade Femininas, Mitos, Contos de Fadas, Eco-feminismo e outros temas ligados ao Universo das Mulheres. Uma das precursoras e divulgadora da cultura celta e divino feminino no Brasil (há cerca de 17 anos desenvolve trabalhos na área). Em 1999, esteve na Irlanda onde teve a oportunidade de visitar e vivenciar os locais sagrados de nossos ancestrais celtas. Integrante de Tradições Espiritualistas, dentre elas: Druídica (por Emma Restall Orr - Inglaterra) e Alexandrian (por Edmundo Pellizari) e Xamânica Celta (John Matthews - Inglaterra) Nas ARTES: Praticante da Sagrada Dança do Ventre e Yoga. Atualmente estuda o estilo TribalFusion Bellydance. Cantora, baterista e guitarrista.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

O caminho da dor, a morte, a paixão e o amor

"...São demais os perigos desta vida pra quem tem paixão..."
Uma frase de Vinicius de Morais me fez pensar em como para amar (de verdade) temos que caminhar por uma estrada dolorosa muitas vezes. O princípio do amor é muitas vezes a paixão. O "spark", a fagulha necessária.

Paixão em latim significa sofrimento, dor, mas a maioria de nós concorda que amor e paixão são diferentes... seráque são mesmo? Até um certo momento simplesmente diferentes, mas depois de um certo ponto, se tornam antagônicos?

Será que não são dois pontos essenciais de um sentimento?
Porque a paixão é o que dá brilho nos olhos, que incendeia a vida (muitas vezes de forma dolorosa) e sim, é o caminho pro amor. Esse que, pra muitos, tem a ver com tranquilidade, paz e segurança.

Mas o que é uma vida sem paixão, senão o banho-maria insuportável para nossos espíritos?

Mas o que é a vida sem amor, sem um porto seguro, sem o acolhimento que a alma precisa?

O que penso é que os dois sentimentos estão divorciados... e por conta disso, muita gente tem vida dupla.
Não seria muito mais "legal" se a gente pudesse ter TUDO? Juntar espírito e alma e dessa forma, chegar ao hierogamos? O casamento sagrado tão almejado?

Mas para isso precisamos de um "coração corajoso" - expressão que é quase um pleonasmo, pois as duas palavras tem a mesma raíz e num nível mais profundo, o mesmo significado.

O que me deixa triste, muito triste muitas vezes, é a covardia imperando. Transformando o processo da paixão/amor em dor silenciosa. Esse silêncio é mais perigoso para o coração do que os riscos da dor, é como uma doença que não se manifesta enquanto não compromete todo o organismo. E que são geralmente as mais fatais.

Porque ter um coração corajoso e seguí-lo envolve risco e muitas vezes dor. Sentir essas dores da paixão é como um auto-exame constante. Por conta disso, mais fácil de curar, mesmo que a recuperação seja demorada.

Mas e a morte de um amor?

O amor como qualquer processo da natureza é cíclico, com nascimento, crescimento, maturação e declinio. A duração do ciclo é impossível de prever também... o que gera ainda mais insegurança.
Além disso nosso imaginário foi contaminado por um "mal entendido" ao meu ver.

"Viveram felizes para sempre" e "até que a morte os separe"

Duas mensagens que grudaram em nosso inconsciente e que foram compreendidas e repassadas por gerações como uma forma de congelar "o amor". O que é obviamente impossível, porque o amor é uma coisa viva e por isso morre.

Como vamos lidar com ciclos se não lidamos bem com a morte?

"Tu és eternamente responsável por aquele que cativas"
Amo toda a mensagem do livro Pequeno Príncipe e de muitos contos de fadas, mas o "eternamente" nessa frase nos remete, infelizmente, á um significado raso da palavra eterno.
Defendo uma revisão de entendimento. Porque se olharmos com mais carinho, a percepção muda, longe da prisão e "dever de estar lá sempre" da qual a idéia da frase de Antoine Saint-Exupery é usada muitas vezes. O autor era uma alma livre e questionadora... o que você acha que ele quis dizer?

O eterno e o efêmero...

Observe como o significado muda:
"E QUE SEJA ETERNO ENQUANTO DURE"

O eterno aqui tem uma conotação tão mais efêmera e por conta disso, mais natural ao meu ver, mas que para muitos pode dar uma sensação de insegurança... pois nos remete ao tão temido término ou morte (tão efêmera quanto a vida). Vamos lembrar que a palavra "efêmera" quer dizer "aquilo que passageiro, momentâneo".

Eterno e eternamente: praticamente a mesma palavra em duas frases maravilhosas. O que talvez precisemos fazer é reprogramar a mensagem de cada uma delas dentro de nós.

O para sempre, a eternidade e mesmo a morte fazem parte da vida. Então viver feliz para sempre significa viver juntos até que o amor que é a causa dessa união morra, e não estarmos presos á uma parceria falida até que morramos, ou pior, nosso coração sufocado pela covardia de não mudar, morra. Amor e zona de conforto não combinam... aliás, nada que está vivo pode ficar congelado pela mediocridade.

Por isso identifico o amor com a dor. Pois ver morrer algo que amamos inclui a dor do luto, da perda. O que vejo é começarmos bem muitos processos de paixão, mas o cuidar do jardim e observar cada decadência, que pode ser passiva de renascimento, não é vivenciado com o devido respeito e reverência.

Quando se perde alguém que gostamos, pela morte física mesmo, há todo um rito de passagem para que possamos digerir a ciclicidade. E esse luto é essencial para que possamos lidar com a dor e no devido tempo acessar a liberdade intrínsica á toda ciclicidade. Em meu último poema usei a analogia das estações do ano para falar do processo de amar e aqui vou me repetir. A liberdade só vem com a primavera que é sempre precedida de um doloroso, escuro e quieto inverno.

Eu sou uma mulher apaixonada, tenho medo da dor, mas a enfrento. Não abro mão de me arriscar á uma estrada perigosa para vivenciar o amor. E prefiro ter um coração ferido á covardia de abafar o fogo que me mantém REALmente viva.

Viva a dor... viva o amor... morre o amor... morre a dor.... renasce o calor...

P.